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A Irmã de Ana Bolena

9 set

Ficha Técnica

Autora: Philippa Gregory
Título original: The Other Boleyn Girl
Série: Tudor
Volume: 2 (ordem cronológica) / 1 (ordem de publicação)
Gênero: Romance / Drama / História
Ano: 2006
Editora: Record
Tradução: Ana Luiza Dantas Borges
ISBN: 978-85-01-07369-3

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Duas irmãs competindo pelo prêmio maior… O amor de um rei.

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Sobre a série

A série “Tudor” é composta por seis livros (até agora, apenas cinco foram lançados no Brasil) e conta a história das rainhas e princesas da Dinastia Tudor da Inglaterra, bem como algumas outras mulheres que se envolveram com os reis e príncipes de tal dinastia. São romances históricos baseados em fatos reais, mas não são necessariamente verídicos. A autora desenvolve os romances a partir de fatos históricos, misturando realidade e ficção.

Uma vez que os livros foram lançados em ordem aleatória, a ordem de leitura não influencia em nada (embora eu recomende a leitura em ordem cronológica, especialmente para aqueles que gostam de história) e haverá fatos abordados em mais de um livro (em um de maneira explícita e detalhada e em outro muito superficial, apenas para que não falte dados à história que está sendo contada).

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Sinopse

Aos 14 anos, a inocente Maria Bolena, sua irmã mais nova, Ana, e o irmão, George, chegam à corte. À época, as grandes famílias aristocratas habitavam os arredores do palácio real e ter uma mulher de sua prole nas proximidades do leito do soberano era garantia de ascensão social.

A doçura e beleza de Maria chamam a atenção de Henrique VIII, soberano da dinastia Tudor na Inglaterra entre 1509 e 1547, lembrado no imaginário popular por sua fama de conquistador – ao longo de sua vida, foi casado com seis mulheres, além das inúmeras amantes que mantinha em sua corte.

Encantada com a atenção do rei, Maria se apaixona pelo nobre e pelo papel não-oficial de rainha. Como nova amante de Henrique VIII, sua aventura amorosa é amplamente incentivada pelos irmãos e o relacionamento se estende por anos, gerando dois filhos, inclusive um homem. Entretanto, toda a família Bolena está envolvida em uma intriga ainda maior: a dissolução do casamento do soberano com Catarina de Aragão.

A conspiração da família, no entanto, sofre uma reviravolta e Maria precisa declinar de seu sonho e amor em nome de sua melhor amiga e rival – Ana. A irmã se aproveita da ausência de Maria durante um curto período e conquista a atenção do rei, substituindo Maria no papel de primeira-amante do rei. Mas seu desejo de tornar-se rainha não tem limites e, ao mesmo tempo em que cresce o desejo de Henrique VIII por um filho legítimo, Ana planeja o que fazer para se livrar da esposa dele.

O livro é narrado em primeira pessoa por Maria Bolena.

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Minha Opinião

Ao longo dos anos, vários livros contaram a história de Henrique VIII e/ou Ana Bolena, mas eu não conhecia nenhum que falasse de Maria Bolena, muito menos que a tivesse como protagonista da história. É sempre muito bom ver uma história tão conhecida contada de um ângulo diferente – nesse caso, do ponto de vista da mulher que poderia ter sido Rainha da Inglaterra, mas que abriu mão disso (em um primeiro momento, por obediência à família, ressentida, mas resignada; posteriormente, por vontade própria, em busca de sua felicidade e independência). Na verdade, uma mulher que nem mesmo desejava ser rainha: ela desejava Henrique; Ana e o resto de sua família desejam o trono inglês.

Tem várias coisas que eu acho interessante nesse livro: a mudança de personalidade que se percebe em Maria primeiro em razão dos filhos, depois em razão de William Stafford (seu segundo marido, em quem encontrará o verdadeiro amor, cumplicidade e felicidade); a tão famosa rivalidade entre irmãs que, até onde nos consta, existe desde os primórdios da humanidade; lealdade – aos soberanos, à família e a si mesmo; e o fato de que, mesmo casando com Ana, é Maria que Henrique respeita, preza e, dependendo do seu ponto de vista, até mesmo ama. Acho que esse último aspecto é tão comum quanto à rivalidade entre irmãos: nem sempre as pessoas se casam com o “grande amor de suas vidas”. Não que Maria tenha sido o grande amor da vida de Henrique, mas ele acaba percebendo (ainda que a autora não deixe explícito no livro) que ela teria sido uma esposa melhor para ele do que sua irmã fora.

Eu gosto bastante de “A Irmã de Ana Bolena”. A única crítica que eu realmente tenho ao livro (à série Tudor como um todo, na verdade) é que, se tratando de sexo, é muito explícito. Não me entendam mal – não estou dizendo que o livro devia tratar o assunto como se fosse um filme da Disney – não mesmo!-, é só que algumas coisas são desnecessárias (leiam e vocês vão entender  o que quero dizer).

Como disse anteriormente, eu acho que o melhor jeito de ler a série é em ordem cronológica, mas reconheço que foi muito bom que “A Irmã de Ana Bolena” tenha sido publicado antes de “A Princesa Leal” (o primeiro da série em ordem cronológica): a história de Henrique VIII e Ana Bolena atrai leitores/curiosos naturalmente; o acréscimo da irmã de Ana como amante real deixa a história ainda mais atrativa. Tenho certeza que as pessoas que leram esse livro acabaram lendo também os outros da série.

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A Princesa Leal

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Site Oficial da Autora

A Princesa Leal

26 jul

Ficha Técnica
Autora: Philippa Gregory
Título original: The Constant Princess
Série: Tudor
Volume: 1 (ordem cronológica) / 4 (ordem de publicação)
Gênero: Romance / Drama / História
Ano: 2007
Editora: Record
Tradução: Ana Luiza Dantas Borges
ISBN: 978-85-01-07742-4

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Seu destino já estava traçado: tornar-se rainha da Inglaterra.

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Sobre a série
A série “Tudor” da autora inglesa Philippa Gregory é composta por seis livros (até agora, apenas cinco foram lançados no Brasil)  e conta a história das rainhas e princesas da Dinastia Tudor da Inglaterra, bem como algumas outras mulheres que se envolveram com os reis e príncipes de tal dinastia. São romances históricos baseados em fatos reais, mas não são necessariamente verídicos. A autora desenvolve os romances a partir de fatos históricos, misturando realidade e ficção.

Uma vez que os livros foram lançados em ordem aleatória, a ordem de leitura não influencia em nada (embora eu recomende a leitura em ordem cronológica, especialmente para aqueles que gostam de história) e haverá fatos abordados em mais de um livro (em um de maneira explícita de detalhada e em outro muito superficial, apenas para que não falte dados à história que está sendo contada).

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Resumo
A Princesa Leal, primeiro livro da série em ordem cronológica, conta a história de Catarina de Aragão em quatro partes: Princesa de Gales; Princesa à Espera; Novamente Princesa; e Cataria, Rainha da Inglaterra. O livro mostra que a Catarina de Aragão foi muito mais do que a esposa que Henrique VIII abandonou para casar-se com Ana Bolena, como ficou popularmente conhecida com o passar dos séculos.

Princesa de Gales
A primeira parte do livro mostra um pouco da infância de Catarina no palácio de Alhambra, quando ainda se chamava Catalina, Infanta de Espanha. A criança, que havia sido prometida em casamento ao Príncipe de Gales (Arthur), cresceu acompanhando seus pais, Fernando de Aragão e Isabel de Castela, nos campos de batalha enquanto era educada para ser a Rainha da Inglaterra.

À primeira vista, ela gosta de Arthur, mas depois passa a não gostar dele, especialmente depois da noite de núpcias. Arthur tampouco gostava de Catalina e sua raiva e seu descaso iniciais colocarão a vida da então Princesa de Gales em perigo quando os dois deixam a corte em Londres e vão morar no País de Gales para que Arthur “aprenda a ser rei”. Ao ver Catalina quase morrendo, Arthur se arrepende e faz de tudo para salvá-la . O medo de perdê-la faz com que ele se apaixone por ela e ao ver a mudança dele, ela também se apaixona.

Os dois vivem um belo romance praticamente às escondidas, uma vez que a avó de Arthur (Lady Elizabeth Beaufort, uma mulher que havia usando todos os meios possíveis para garantir que Henrique, seu filho, ocupasse o trono inglês) havia determinado que os dois passassem apenas uma noite juntos por semana. Mais do que amantes, os dois eram “companheiros” e passavam boa parte do dia fazendo planos de como transformariam a Inglaterra quando Arthur virasse rei. Pouco tempo depois, Arthur adoece, vindo a falecer. Em seu leito de morte, entretanto, ele ordena a Catalina que que alegue que o casamento não fora consumado e que se case com Harry, irmão mais novo de Arthur que, com sua morte, se tornaria o herdeiro do trono.

Princesa à Espera
Catalina espera até saber se está ou não grávida e ao perceber que não esperava filho algum, faz o que Arthur lhe ordenou. Henrique VII, Rei da Inglaterra, então viúvo, decide casar-se com a viúva de seu primogênito. Ao saber que seus filhos não teriam precedência sobre os filhos de Harry na sucessão real, ela se recusa e diz a seus embaixadores que quer se casar com o Príncipe Harry e não com o pai dele.

A licença papal é concedida (uma vez que não era permitido que um homem casasse com a esposa de seu irmão), mas Henrique VII, com raiva da Princesa Dawger (como ficam conhecidas as viúvas da família real), faz de tudo para adiar o casamento, inclusive dando a Harry o direito de casar-se com outra esposa.

Novamente Princesa
Com a morte Henrique VII, Harry assume o trono, tornado-se Henrique VIII, o rei mais famoso da dinastia Tudor. Uma vez que sempre fora apaixonado por Calatina, decide casar-se com ela apesar da liberação que seu pai lhe havia dado e Calatina passa a ser novamente a Princesa de Gales.

Catarina, Rainha da Inglaterra
Com o casamento e a coroação, Catalina passa a ser rainha e decide abdicar de seu nome espanhol e escolhe um nome inglês, Katherine, tornando-se então “Catarina (de Aragão), Rainha de Inglaterra”, como ficou conhecida historicamente.

Apesar de seu grande amor ter sido Arthur, ela passa a amar Henrique também e os dois vivem uma história bonita por um bom tempo. Apesar das várias amantes, Henrique sempre voltava para sua esposa. Com o passar dos anos, passou a procurar menos como sua esposa, mas ainda buscava seus conselhos. Catarina faz de tudo para concretizar os planos que havia feito com Arthur para construir uma nova Ingalterra. A incapacidade de gerar filhos homens, entretanto, faz com que Henrique se irrite cada vez mais e se afaste dela em busca de uma mulher que possa lhe gerar um herdeiro homem. A única criança do casal que sobrevive é a Princesa Maria. O Príncipe Henrique, tão festejado ao nascer, morre antes de completar dois meses.

Tendo sido criada a vida inteira para ser Rainha da Inglaterra e sendo amada e respeitada pelo povo inglês que não aceitava facilmente a idéia de que o rei a trocasse por Ana Bolena, Catarina luta por seu título até que seus últimos recursos se exauram, se recusando a abrir espaço para que  a nova escolhida de Henrique VIII ocupasse um trono que era seu num país que havia aprendido amar e adotado como seu.

O título do livro faz referência justamente à lealdade de Catarina ao país que passara a ser seu através do casamento.

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Minha Opinião
Eu gosto muito de história e sempre gostei da história da Dinastia Tudor da Inglaterra, o que me fez querer ler os livros da série Tudor assim que soube da existência deles. Como os livros não foram publicados em ordem cronológica, tive que espera um pouco até que A Princesa Leal fosse lançado e, honestamente, a espera valeu muito a pena.

O livro é EXCELENTE. O romance foi incrivelmente bem escrito e os detalhes históricos são tão precisos quanto  necessário. É como se valesse o ditado do “aumenta, mas não inventa”. Nenhum fato histórico é alterado, assim como também não são alteradas as circunstâncias que levam os personagens a cada passagem histórica retratada no livro. A ficção fica por conta dos sentimentos e dos diálogos dos personagens.

É o tipo de narrativa que faz você torcer pelos personagens, se irritar com eles, gostar deles – se envolver com a história ao invés de simplesmente observá-la. O único problema é que quem sabe um pouco de História Geral e lembra das Revoltas Protestantes e da criação da Igreja Anglicana já sabe uma parte do que acontece no livro. Entretanto, por experiência própria, posso garantir que isso não torna a história menos interessante ou agradável: apesar de já saber o que aconteceria, fiz tudo isso que acabei de falar – torci, me “irritei”, gostei dos personagens.

Não sou muito adepta da idéia de dizer que uma pessoa “tem que ler” determinado livro, mas, nesse caso, abro uma exceção e digo que qualquer pessoa que goste de história e de romance deve ler não somente A Princesa Leal, mas a série inteira.

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Site oficial da autora

Água Para Elefantes

21 jul

Ficha Técnica
Autora: Sara Gruen
Título original: Water For Elephants
Gênero: Romance  / Drama / Ficção
Lançamento: 2007
Editora: Sextante
Tradução: Anna Olga de Barros Barreto
ISBN: 9 78-85-99296-15-8

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Resumo
Aos 23 anos, Jacob Jankowski perdeu os pais num acidente de carro durante a Grande Depressão. Confuso com os últimos acontecimentos e com a situação em que se encontrava, Jacob entra em choque e ‘foge’ da faculdade (Cornell) onde cursava Medicina Veterinária durante as provas finais e, num momento de desespero, sem saber exatamente em que estava se metendo, pula num trem que estava passando no local onde ele havia ido parar depois de caminhar por horas sem destino algum. O trem em questão era o “Esquadrão Voador do Circo Irmãos Banzini, o Maior Espetáculo da Terra”.

Por sorte ou azar (isso só você lendo o livro para decidir), Jacob acaba sendo ‘contratado’ por tio Al, dono do circo, para trabalhar como veterinário. A frente do cargo, Jacob conhecerá August, chefe do setor de animais cujas manias e mudanças constantes de humor colocaram sua segurança em risco várias vezes. O cargo também o aproximará de Marlena (estrela do circo e esposa de August) por quem ele se apaixonará e arriscará tudo. Jacob se apaixona uma segunda vez no circo, por Rosie, a elefanta comprada de um circo que havia falido e que supostamente não servia para nada.

Inicialmente, os trabalhadores do circo não iam muito com a cara de Jacob, mas, com o passar do tempo, passam a gostar dele. Especialmente Kinko (Walter) e Camel, que se tornarão grandes amigos de Jacob e o ajudarão e protegerão no meio a todas as confusões que resultam do fato de se apaixonar pela esposa do cara que, além de chefe dele, era esquizofrênico e mudava de humor constantemente.

Um grande acidente que, inicialmente, ameaçará a vida de Marlena, Jacob e Rosie, acaba por salvá-los.

Tudo que foi dito acima são lembranças contadas setenta anos mais tarde por Jacob a Charlie, dono de um circo que estava na cidade onde ele morava.

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Minha opinião
Eis como surgiu meu interesse nesse livro: foi anunciado que Robert Pattinson faria um novo filme que se chamava “Water For Elephants” e era baseado num livro de mesmo nome. Junte isso ao fato de que saber que haverá um filme baseado em determinado livro é o jeito mais fácil de me fazer lê-lo e você entenderá minha ansiedade. A razão pela qual estou contando isso é porque, não fossem as duas razões acima mencionadas, eu dificilmente teria lido Água Para Elefantes pelo simples fato de que o título (em português, principalmente) é muito estranho e não me atrairia. A capa talvez, se eu chegasse a ver. Além do mais, ninguém nunca o havia me recomendado antes.

Vamos ao que interessa…

A história é muito linda, emocionante e diferente. Não é mais um romance com final feliz. É um romance que envolve drama, suspense e ação. Se o final é feliz ou não, vou deixar para que cada um decida após ler o livro. Eu enxergo dois finais felizes no livro. Não aquela felicidade de conto de fadas “e eles foram felizes para sempre”, mas o tipo de felicidade passível de ser vivida na vida real.
O enredo é diferente e critica as péssimas condições às quais os animais de circos eram submetidos nos Estados Unidos nos anos 30. Considerando que, infelizmente, essa realidade de maus tratos aos animais ainda existe, acho a crítica bem atual, embora o romance seja histórico. As partes relacionadas a esse assunto específico são um pouco fortes, mas só porque são descritas com extrema veracidade e eu acredito que essa seja a melhor maneira de chamar a atenção do leitor para o que quer que seja: veracidade emocional.

Outra coisa que o livro faz muito bem é relatar a vida de um idoso: as mudanças naturais e aquelas impostas pela sociedade; as memórias e a saudade de tudo aquilo que se viveu; a sensação de impotência e de abandono; dentre outras coisas.

A narrativa é ótima: é um daqueles livros que você simplesmente tem que ler até o final. Uma coisa que eu gostei bastante foi da alternância dos capítulos: uma parte com o Jacob aos 93 anos, outra parte com as lembranças dele de quando tinha 23. Sem falar que as fotos antigas de circos americanos são muito interessantes também. Aproveito a deixa para ressaltar o ótimo trabalho de pesquisa da autora.

É, como vocês já devem ter percebido, um excelente livro.

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